Autoria: Diana Raquel Saraiva Pinto, Mestranda em Educação Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico
Centro Educativo/Instituição: Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti
Contacto: 2017051@esepf.pt

A minha escola de Sonho…

Se eu inventasse a minha escola, esta seria uma mini cidade, onde existisse uma mini feirinha de profissões, museus, cinemas, exposições… no fundo, uma cidade repleta de experiências – onde cada um, pudesse observar e experimentar o que se faz em cada um dos empregos e também em cada local. Pois no fundo, no futuro, o que nos espera é um mundo de experiências das quais devemos ter contacto o quanto antes, de modo a desenvolvermos competências e habilidades, para estarmos bem preparados. Se assim fosse, iriamos conseguir conhecer quem somos, conhecer o nosso interior, conhecer onde nos sentimos bem e o que fazer para nos sentirmos realizados.

Visualmente, a escola seria um espaço simples, minimalista, mas com tudo o que fosse necessário para nos desenvolvermos física e mentalmente. Seria composto por envidraçados, de modo que se conseguisse observar o exterior e o espaço que nos rodeia, sentindo-nos assim integrados, ao invés de deslocados. Seria uma escola inclusiva, estando preparada para pessoas portadoras de deficiências motoras e cognitivas. Seria possível ter espaços exteriores dedicados não só para o recreio, como é habitual, mas também para decorrerem as atividades e as aprendizagens. A escola seria um local flexível, onde pudéssemos criar o nosso próprio horário, uma vez que nem somos todos iguais: muitos de nós são mais produtivos de noite, do que de dia, muitos não necessitam de estar 3h dedicados a uma atividade, bastando-lhes apenas 1h. 

Assim, num ambiente de autonomia, flexibilidade e envolvimento, os alunos poderiam convidar os seus amigos e familiares a participar no ambiente educativo – sendo que cada um poderia contribuir da forma que quisesse, sentindo-se útil e capaz de contribuir com o que de melhor tem. Desta forma, a escola não seria apenas um espaço de alunos, professores e funcionários, onde os pais apenas se deslocam para reuniões ou festividades. A escola, deveria ser um espaço onde todos pudessem aprender, ensinar e colaborar com o que têm de melhor. Se um pai tem conhecimento acerca de um determinado assunto, porque motivo tem de ser o professor a falar sobre ele? Se uma mãe é professora de educação física porque não dar uma aula juntamente com o professor, exemplificando o trabalho colaborativo e em equipa? Relembremo-nos que os mais novos, não fazem o que dizemos: eles fazem o que fazemos. Portanto, a comunidade educativa, tem de ser o exemplo. A escola deveria receber e incentivar ao voluntariado, para todos sentirem que podem sempre contribuir de alguma forma, acrescentando algo à sociedade que nos rodeia.

No que concerne à sustentabilidade, a escola deveria ser, em segundo lugar, o local que procurasse ter práticas sustentáveis e amigas do ambiente – dando aos alunos garrafas de água recicláveis, ao invés de vender garrafas de água de plástico e eliminar o uso deste; nas artes, pedir às crianças que trouxessem materiais que tivessem em casa (restos de tecido, lápis de cor e marcadores utilizados, restos de cartolinas…) em vez de no inicio do ano letivo, pedir uma lista de materiais infindáveis; procurar ter uma alimentação “plant based” (à base de plantas), esses alimentos podiam ser plantados, tratados, colhidos e comidos pela comunidade educativa; deveriam existir caixotes do lixo por toda a escola, bem como ecopontos e combustores. A escola, poderia deixar-nos levar o nosso animal de estimação de vez em quando, de modo que todos nós nos sensibilizássemos desde cedo à importância de cuidar do outro, de respeitar, tratar e sobretudo conviver.

A escola, seria uma segunda casa, pois num ambiente confortável e seguro, é que as crianças aprendem. O ambiente estaria previamente preparado para estar ao alcance de todos, de forma fácil e segura. Existiria um parque para estacionar bicicletas à entrada da escola e um espaço para realizar exercício físico. Toda a comunidade poderia andar descalça ou com chinelos dentro das instalações; as cadeiras seriam reguláveis à altura de cada um; existiria computadores, tablet e material informático acessível a todos (existiria a parte tecnológica, sim, mas nunca descartando a parte humana e prática que deve continuar a existir e a ser preservada); as mesas estariam agrupadas de modo que estivessem 3/4 alunos juntos ao invés de mesas corridas, com os estudantes de costas voltadas uns para os outros como é habitual nos dias que correm; ao longo da escola e biblioteca, existiram sofás/cadeirões confortáveis, onde se pudesse repousar, ler um livro ou ouvir música; existiria um espaço dedicado ao relaxamento, ao cuidado interior, à introspeção, para que desde cedo entendêssemos que devemos trabalhar de dentro para fora, dedicando tempo a nós mesmos; seria uma escola rodeada por natureza, para nela podermos aprender, explorar e respeitar desde cedo.

A escola, deveria ser um espaço que não estivéssemos só de passagem, onde ficássemos apenas durante o tempo em que temos atividades letivas. Se nos sentíssemos verdadeiramente bem, quereríamos lá ficar.

Na minha escola de sonho, todos se conheceriam uns aos outros, pois existiria espaço para diálogo, para conhecer o outro, para partilhar e participar. Lá, haveria trabalho de equipa, colaboração e entreajuda, para atingir um objetivo comum: a aprendizagem mútua e o bem-estar coletivo. Não existiriam hierarquias, pois todos se respeitavam, todos participavam e todos se ouviam. Todos podiam e deviam cozinhar, limpar, colocar a mesa, decorar, aprimorar, enfeitar, cuidar… tal como nós fazemos em nossa casa. A escola, deveria ser um local familiar e informal, de modo que todos fossemos próximos, como uma família deve ser. 

Acredito que assim, a sociedade fosse mais bem preparada, amiga, unida e cuidadora, dos que nos rodeiam e do que nos rodeia. Seria assim uma escola onde as aprendizagens decorriam de forma bidirecional e significativa.

A minha escola de sonho

Uma escola acessível, minimalista, flexível e familiar – num ambiente de experiências e participação, a aprendizagem iria resultar

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