O DIA DE JESUS

Leitura

Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Saindo da sinagoga, foram para casa de Simão e André, com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. À noitinha, depois do sol-pôr, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, e a cidade inteira estava reunida junto à porta. Curou muitos enfermos atormentados por toda a espécie de males e expulsou muitos demónios; mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era.

(Mc 1, 21-34)

Graça a pedir

Pedir a graça de conhecer Jesus intimamente para mais O amar e seguir

1º ponto – O jeito de Jesus

Imaginemos Jesus que vai ao encontro das pessoas, onde elas estão – e eu também estou lá…. Vejo-O a entrar na Sinagoga, dou conta da autoridade com que fala…. Ver o que sinto.

Ele vê um homem prisioneiro de si próprio, escravo das suas divisões interiores, dos seus medos. Procuro perceber o modo como Jesus o olha, como as outras pessoas presentes na sinagoga observam a cena e o próprio homem.  Que sinto diante de todo este conjunto de pessoas e das suas atitudes… Com quem me identifico? Observo o homem que fica livre, como é a expressão da sua cara e a reação dos outros. Ouço o que dizem, como dizem, que fazem, que faz Jesus.

Dali, Jesus dirige-se a casa de Simão e André. Vejo como acolhe o pedido que lhe é feito para ir ter com a sogra de Simão, como se aproxima dela, a toma pela mão e a levanta. Sinto-me lá. Como é que isto me toca? Ouço o que dizem, observo o que fazem. Ela sente-se com uma vida nova e começa a servir.

À noitinha, Jesus senta-se à entrada da casa, como se não tivesse mais nada a fazer, e cura todos os que vêm ao Seu encontro.

Dou-me conta como ninguém sai da presença de Jesus da mesma forma que chegou, todos são curados dos seus limites. Ouço os comentários, observo o que fazem.

Detenho-me a olhar este Jesus que vê sempre para além de Si mesmo, e cura em todos os contextos. É para mim que Jesus, agora, se volta. De quem lhe quero falar, que lhe quero dizer? Entrego-Lhe o que torna o meu coração pesado, as lágrimas de tantos, a impotência. Sinto-O a escutar-me, a acolher-me, a dar-me paz.

Sentir a minha vida como lugar de Deus, como lugar onde o encontro de Salvação acontece.

2º ponto – Paula descentrada de si

Numa carta à Ir. Josefina Bozzano (C.467) Paula mostra-nos a abundância do seu coração e as pessoas que entram no seu dia-a-dia.:

“(…) Hoje disponho de um pouquito de tempo, e emprego-o já consigo. De saúde, graças a Deus estou bem, aliás, ótima. A academia realizou-se e decorreu bem, mas a Irmã Elisa Vassalo cansou-se demasiado e afligiu-se excessivamente, pelo que foi visitada pelas suas habituais convulsões…
Também nós nos preparamos para os Santos Exercícios; contudo, ainda não conseguimos pregador, e não sabemos nem quem será nem quando será. Reze e peça que rezem para que encontremos um bom porta-voz e para que o Senhor se digne dar-nos ouvido apurado, inteligência clara e vontade dócil, a fim de que possamos secundar inteiramente a divina vontade.
Alegra-me que a Irmã Nobili[1] esteja bem, que estude e que esteja alegre; diga-lhe que recebi a sua carta e lha agradeço; que não lhe respondo porque não tenho tempo. Consola-me muito saber que essas alunas são tão boas e tão afeiçoadas à oração; que continuem a rezar, pois há tanta necessidade !!!
A D. Luísa[2] já entregou o inventário e tudo, e está à espera da sentença, isto é, das novas disposições. Eu estou bastante tranquila, e na família não há nada de novo. O Papa[3] está bem e cumprimenta a todas. Pelo P. Sacco receberá a licença para a [Missa da] noite de Natal.
A Sommariva queixa-se, (…) se ela não escreve, tem todos os motivos do mundo para o não fazer, porque não tem tempo… Portanto, desculpe-a se não escreve, e escreva-lhe.
Faz-se noite, já não vejo. Amanhã de manhã, querendo Deus, pedirei ao Sr. Arcebispo a santa bênção para si e para as suas. Apresente os meus cumprimentos ao P. Montebruno, às suas velhinhas[4], irmã e sobrinha; e a todas as da sua família[5]dê muitas lembranças minhas, em particular à Carletti, Albino, Trabucco, Salvago, Nobili, Passadore, Borgatta… E receba um abraço…

3º ponto – Que me move? Para onde caminho?

Tomo consciência do ritmo do meu dia que agora é quase parado. Levanto-me, com a sensação de ter o mundo às costas. Sinto-me cansada/o de estar sentada/o diante de um computador ou da televisão. Que me faz sair da cama, que coisas me vêm à cabeça?

Parece que, agora, tenho todo o tempo do mundo e não sei o que hei de fazer com ele ou então um teletrabalho que me suga a energia.

Tomo o pequeno-almoço, com imagens na cabeça. Hospitais cheios de gente, filas de ambulâncias…

Não há autocarro para apanhar. Há um ecrã à minha espera. Ligo o computador ou vejo notícias na televisão.

Os dias passam e dentro de mim está o desejo de ouvir a boa notícia dos doentes a diminuir e a doença a retroceder.

Que tempo dou ao gratuito no meu dia? Que lugar tem Deus e os outros no meu coração e no meu tempo? Que me impede de parar diante dele e entregar-lhe o que vivo e vivem os homens e mulheres do nosso tempo? Vou-me aproximando de Deus ou do medo de viver?

Que falta ao meu dia a dia para se tornar mais parecido com o de Jesus e Paula?

Como quero viver o dia a dia até ao nosso próximo encontro?

Desafio para a vida…

  • Ao longo do mês, lembrar o propósito feito no fim do encontro.

Terminamos o nosso encontro pedindo a Santa Paula que interceda por nós, junto de Deus, nesta hora dolorosa da nossa história.

Santa Paula Frassinetti que na simplicidade da entrega do dia a dia soubeste ser grande na Fé; que nos problemas, dificuldades e canseiras soubeste ser firme e serena; que no rasgar caminhos para cumprir a Missão, soubeste ser corajosa e audaz. Ensina-nos a encontrar e a seguir a Vontade de Deus com entusiasmo e confiança, fidelidade e Amor. Ámen!

Abençoe-nos o Pai com a Sua Omnipotência,
Abençoe-nos o Filho com a sua Sabedoria,
Abençoe-nos o Espírito Santo com a Caridade.


[1] Irmã Inocência Nobili. [2] Irmã Luísa Gianelli, Superiora do Conservatorio de Ripetta. [3] O Santo Padre Pio IX. [4] Mãe e tia. [5] A comunidade religiosa.

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