Desconfinar em tempo de confinamento

Entrar num processo de Inovação, dentro da Rede Educativa das Irmãs Doroteias, teve sempre como horizonte uma Educação Evangelizadora que se quer sempre integral. Assim, definiu-se a Educação da Interioridade como um dos principais eixos a trabalhar, assumindo-a como um verdadeiro paradigma educativo.

Desenvolveu-se, deste modo, um caminho que implicou um processo de busca, estudo, reflexão, partilha e colaboração entre diferentes educadores e professores dos nossos Centros Educativos, no âmbito desta Oficina. Deste modo, foi possível conhecer teoricamente diferentes modelos de Interioridade em diferentes Escolas, frequentar ações de formação na área, aplicar sessões, abrir espaços novos de interioridade…passos fundamentais para o horizonte que se traçou.

Neste processo, muito do que íamos vendo e conhecendo levou-nos a desejar ainda mais, numa permanente busca do tal “magis” inaciano. Surge assim o sonho de um documento que fosse como que orientador da nossa prática educativa, com a especificidade da nossa espiritualidade.

Para operacionalizar esta ideia decidimos criar, no início deste ano letivo, duas equipas com 17 educadores e professores, para a construção de dois referenciais: 

  • um referencial para a Educação da Interioridade, conceptual e programático, tendo em conta os diferentes grupos etários dos nossos alunos.
  • um referencial da Educação Integral, com a definição e clarificação das especificidades e complementaridades de diferentes áreas que convergem com a Educação da interioridade (Pastoral, EMRC, Catequese, Formação Humana, Cidadania, projetos de acompanhamento dos alunos…)

Estas duas equipas organizaram-se com tempos de trabalho autónomo, mas sempre em articulação com todos os professores e educadores que pertencem à Oficina de Educação para a Interioridade, numa lógica que “sai” para fora dos Centros Educativos, com dinâmicas de encontros inter-Centros. Envolvemos neste processo um total de 51 pessoas, de diferentes áreas e saberes, que partem de um modo de educar já presente nos nossos Centros Educativos, mas que se quer sempre melhor. 

Numa lógica conjunta, organizamo-nos, planeamos, reunimos e lançamos novos desafios, com datas concretas, documentos orientadores, e com muitas horas em plataformas de videoconferência que passaram a ser as nossas salas de trabalho! Num tempo em que nos pedem para “ficar em casa”, sentimos no ar o apelo ao “encontro”, a “desconfinar”, e é neste paradoxo que nos movemos e estamos a avançar. 

O trabalho colaborativo é sempre exigente, implica reunir opiniões diferentes, levantar dúvidas, fazer e refazer, refletir, voltar atrás e avançar, mas sentimos em todos estes profissionais um desejo imenso de dar tudo para que em junho os referenciais estejam prontos. Já a nossa Fundadora, Santa Paula Frassinetti, dizia que “as árvores que crescem no cimo dos montes, batidas sempre pelos ventos e tempestades, são mais fortes do que as que crescem nos pântanos tranquilos”.

Ao longo destes meses, todos temos aprendido muito. Desejamos alcançar os nossos objetivos, elaborando os documentos que nos são pedidos; no entanto, mais do que os resultados a atingir, o importante é todo o processo realizado em conjunto. Sabemos que este trabalho colaborativo é um dos traços do projeto Bússola 21, ajudando a “criar laços”, a construir pontes e partilhar saberes, a crescer no trabalho em rede, a aprender uns com outros e, sobretudo, a fortalecer esta pertença às Instituições Educativas das Irmãs Doroteias, sentindo-nos uma grande Família.

Autoria: Anabela Pereira, ssd; Susana Santos, ssd
Oficina de Inovação Pedagógica: Educação da Interioridade
Contactos: anabelaper@gmail.com ; santosreisusana@gmail.com

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