Ser como um dos doze, não é defeito, é mesmo vontade de fazer caminho, de crescer. Tomé disse aos seus amigos algo que nós repetimos uns aos outros: se eu não puder ver a inovação educacional a acontecer, se eu não conseguir estar lá e ver aquilo a funcionar, se não respirar e sentir esse ambiente concreto, não acredito no que me dizem.
“Acreditar é mesmo um passo intransponível para nos podermos envolver nos caminhos da inovação educacional. Somos crentes, mas falta-nos ainda dar mais um passo, romper o medo e mergulhar no novo ambiente para acreditar.”
Muitos dos que alinham nos esforços em prol da inovação e da melhoria da educação, mas continuam com a cabeça no “antigamente”, sem acreditar que tempos novos são necessários e possíveis, que estes tempos exigem uma nova atitude e implicam ver para além dos riscos que se correm, agindo como ovelhas de um rebanho, “só para não parecer mal”, claudicarão à primeira contrariedade (e haverá muitas). Muito mais sábio é agir como Tomé (que se chama o Gémeo, para nos podermos facilmente “colar” a ele), querer ver, exigir sentir e respirar esse novo ar. Agimos assim porque queremos vir a acreditar!
Sabem bem o quanto valorizo e incentivo as visitas cruzadas entre escolas. Ver, sentir, respirar os novos ambientes educativos constitui um pequeno passo, mas muitas vezes um passo decisivo, para que se rompam as barreiras que não nos deixam ver o outro lado da realidade, o possível que parecia impossível e inalcançável, uma luz onde só havia dúvidas, medo, suspeições e preconitos.
Acreditar numa educação que faz de cada aluno/a “protagonista da sua vida e agente de transformação da realidade” é mesmo a base comum em que devemos estar fortemente sintonizados. Ter dúvidas e colocá-las em cima da mesa é muito positivo e salutar, querer ver para crer é um caminho que pode dar muito fruto, como no caso de Tomé. Pode não mudar nada, mas pode transformar tudo.
É pena que alguns Centros Educativos se fechem tanto dentro dos seus muros. Esse caminho só ajuda a perder o contacto com a inovação educacional que, por todo o lado, se nos impõe. Não é caminho, é buraco. A educação das crianças e dos jovens convidam-nos sempre a sair, a partir, a caminhar, a perguntar, a duvidar, a querer ver mais e melhor, a renovar a esperança e, assim, ACREDITAR.
