Passar… para ser rosto da ternura de Deus

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PASSAR – Mantém o traçado anterior, mas a alternância entre um tipo de letra geométrico e um manuscrito no título; quer acentuar-se o caráter único de cada passagem com as dinâmicas interiores e tão humanas que cada uma arrasta.

“do dentro ao fora” – O painel encontra-nos como uma grande porta aberta que nos desafia a percorrer um caminho de dentro para fora. Dentro, as paredes são de um verde suave, que pede mudança, e o chão é de um verde mais intenso, que pressupõe segurança, rasgado por uma porta vermelha “escancarada” cujas cores fortes apontam para uma paixão libertadora, que se abre com coragem a um caminho novo… podemos quase fazer memória de Deus que faz caminho com o povo e o conduz em todos os tempos e lugares; fá-lo sair de dentro para fora, nas circunstâncias em que está… “Foi ele que os fez sair do Egipto, realizando prodígios e milagres na terra do Egipto, no Mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.” (Act 7,36)

“do grande ao pequeno” – Vemos que no meio do caminho novo, que se ousou percorrer, se apresentam duas casas muito semelhantes, de fachada igual, mas a primeira é maior. Ambas com o toque rústico para falar da “simplicidade e do espírito de família”, ligadas por duas linhas de traços diferentes. A linha superior a negro, cujo tracejado comunica um coração, coloca a descoberto o esforço e desejo humano de acertar com a vontade de Deus; um traçado maior de linhas vermelhas revela um Deus que guia num discernimento, daí a bússola que vai tornando clara a opção que envolve a passagem do grande ao pequeno numa casa simples.

“da segurança à precariedade” – O caminho azul marinho rompe a porta, num traçado em que essa mesma cor transporta a fé e a confiança abandonada; a segurança está no novo caminho traçado a vermelho, caminho de Deus com o movimento do Espírito, que começa largo, parte da segurança, mas depois de algumas voltas fica mais estreito, ao ponto de se realizar apenas na precariedade de um tracejado, como se passo a passo se caminhasse do finito ao infinito.

“da distância à proximidade” – A noção de distância e proximidade fica associada aos marcos que ligam e definem o ponto de partida e chegada; existe aqui um espaço, um intervalo entre marcos em que o percurso sempre nos leva para Aquele que é o Senhor de todos os tempos, de todas as medidas e itinerários, em que o longe e o perto são sempre ponto de encontro, como diz o profeta Isaías: ”Vós, os que estais longe, ouvi o que Eu fiz! Vós, os que estais perto, reconhecei o meu poder!” (Is 33,13)

“da ação à compaixão” – Os marcos de distância e proximidade evocam também no seu interior o ponto de partida em que se olha, atende e cuida daquele que está próximo, beneficiário da ação preconizada no grafismo de apenas uma mão. Mas o amor que se faz todo compaixão, inteiramente misericórdia, sente com o Outro, os outros, toca e deixa-se tocar pelas suas feridas, por cada coração, por todos os povos: “A compaixão do homem tem por objeto o próximo, mas a misericórdia divina estende-se a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina, e reconduz, como pastor, o seu rebanho.” (Ecl 18, 13)
Numa experiência em que o agir humano é portador de mais do que uma ação isolada, da compaixão feita misericórdia, depois de trilhado o caminho, emerge na delicadeza de cada mão (diferentes cores, diferentes tamanhos apontam para povos, culturas, feridas diversas) com um coração no centro, que tocou e toca… para ser rosto da ternura de Deus.