Testemunhos Peregrinação Nazaré-Fátima

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Escolher caminhar com Maria no meio do povoPeregrina'18b

Participei pela primeira vez na Peregrinação a pé a Fátima, organizada pela Juventude Doroteia, que este ano decorreu entre os dias 14 e 15 de abril, com início no Sítio da Nazaré.

Os caminhos que tínhamos para desbravar eram desconhecidos para todos pois foi a primeira vez que este percurso foi escolhido. No entanto, desde o primeiro instante, todos se empenharam em tornar aprazível o caminhar: as Irmãs e toda a Equipa que animavam o grupo a avançar, os elementos nos carros de apoio que nos confortavam com deliciosos reforços calóricos, os mais experientes em Peregrinações que acolhiam os que caminhavam pela primeira vez… Foi uma Peregrinação abençoada, muito bem preparada e organizada por toda a Equipa, que nos proporcionou um tempo rico de contacto com a Natureza, de encontro, convívio, amizade, partilha e momentos de oração. Sinto-me muito agradecida por nela ter sido peregrina, caminhando lado a lado entre tantos outros peregrinos, quase 90, vindos de Moura, Recardães, Nazaré, Lisboa, Covilhã, Porto, Coimbra, Évora, Pinhanços. Apesar de grande parte destes rostos serem também desconhecidos, senti desde logo que nos uniam fortes laços de comunhão: a pertença à Família Doroteia e um desejo crescente de nos tornarmos verdadeiros peregrinos, de nos pormos a caminho e de “Escolher caminhar com Maria no meio do povo”! E Maria esteve sempre presente, entre nós! Pudemos refletir e rezar ao longo do caminho o próprio caminho interior que Maria fez ao longo da sua vida, através de dinâmicas de oração propostas, que de modo criativo e muito profundo, nos desafiavam a seguir na nossa própria caminhada do quotidiano, os passos de entrega e confiança da Nossa Mãe do Céu.

Na tarde de sábado celebrámos juntos a Eucaristia no belo Mosteiro de Santa Maria de Coz, rezámos pelo Delfim que já partiu para a Casa do Pai e que era um elemento assíduo nesta atividade. Sentimo-nos fortalecidos na fé e no envio a sermos testemunhas da Ressurreição! No domingo subimos a montanha (Serra D’ Aire) e sentimos o desafio das dificuldades do caminho, mas também a vontade de, em comunidade, as superarmos! E lá chegámos a Fátima, cansados, mas agradecidos, sentindo o “coração a arder” pela bonita experiência que cada qual tinha vivido. Consagrámo-nos a Maria prometendo continuar a escolher caminhar com Ela, pela vida. (Ana Teresa Brás, Covilhã)

Como se fosse novidadePeregrina'18d

Já não chega uma mão, para contar as vezes que participei na Peregrinação da Juventude Doroteia… mas, em cada ano apresenta-se-me como se fosse novidade… e assim aconteceu, mais este ano…

O grande Papa João Paulo II ensinou ao mundo “que todos dependem de todos em todos os momentos da vida humana “… poderia dizer que este é o mote desta pequena (no tempo) /grande (na multiplicidade de emoções) experiência de peregrinar. E, de fato, ainda vou levar muito tempo para encontrar as palavras certas, se é que existem, para traduzir os sentimentos vividos nestes dois dias…

É a oportunidade que me é oferecida (interesseiramente rogo a Deus que conserve as Irmãs para que continuem a tornar possível esta peregrinação), para quebrar o ritmo alucinante da vida e experienciar o silêncio… a reflexão… a gratidão.

Só posso sentir-me privilegiada por ter vivido esta experiência, e é impossível chegar ao fim da mesma forma que se iniciou… não é possível “atravessar” estes dois dias e não sentir o verdadeiro significado da vida… da comunhão… da família.

Caminhar… até encontrar o porto de abrigo que justifica a razão porque se caminhou… se sofreu… se rejubilou…

Peregrina… a fazer um caminho que não conhecia…Peregrina'18a

“Escolher caminhar como Maria no meio do povo”… Que proposta é esta? Que sentido tem para a minha vida? Que significado dou a cada passo? Que significado tem para mim o que escuto daquele que me acompanha? Várias foram as questões que acompanharam este grupo de peregrinos. Eu, como peregrina do mesmo, senti-me a fazer um caminho que não conhecia…

O ambiente inicial logo criado foi especial. Olhar o mar de Nazaré, deixar-me encorajar e motivar por ele foi uma grande graça para começar. Ali estávamos nós, a caminhar por entre ruas estreitas, pelo passeio que ao lado da estrada aguardava ainda a manhã a despertar… E nós despertávamos com ela, deixávamo-nos interpelar pelas paragens e propostas de reflexão. E tudo fazíamos debaixo de um belo dia de primavera.

As diferenças em relação às peregrinações anteriores começavam a fazer-se sentir, os caminhos tornavam-se mais verdes, a descontração perante um caminho quase sem carros trazia muita calma… A missa foi um momento especial. Falava-nos de um Jesus que encontrara dois discípulos a caminho de Emaús e de dois discípulos que O haviam encontrado a Ele. Era também Este, o Jesus que vinha ao nosso encontro e o Jesus que pelo caminho encontrávamos.

No dia seguinte, a manhã era de chuva. Mas nem por isso o dia ficou com menos cor. A proposta de oração convidava-nos a uma partilha. Uma partilha de pó colorido para que de pessoa em pessoa, deixássemos a água da nossa garrafa colorir-se e contaminar-se pela cor daquele com quem fôssemos conversando. O caminho dessa manhã foi dos mais difíceis de toda a peregrinação. Um monte lá no alto, era esse que íamos escalando. A chuva sempre miúda acompanhava-nos. Olhávamos para baixo e como já tínhamos caminhado… As nuvens dissipavam-se em nevoeiro, que de repente nos rodeava e acompanhava o andar. Já só víamos a natureza a uns metros do olhar. E como era bela, assim, desfocada da paisagem geral e focada no que habitualmente passava despercebido ao olhar… Atrás dessa grande subida seguiam-se outras, que juntos e por vezes de braço dado por cima de ombro, ajudávamos quem a nosso lado caminhava. Mas lá estava sempre presente a equipa de apoio, que com as carrinhas, nos aguardavam. As suas palavras de “é já ali” tornavam-se reais sempre que chegávamos junto deles e nos mimavam de água, fruta, energia, o que fosse preciso!

Estávamos quase a chegar à última etapa do caminho. Lado a lado rezávamos, conversávamos e entusiasmávamo-nos com as placas que apontavam para Fátima. E, ao entrar no Santuário, lá estava o grande Guia do nosso caminho. Demos as mãos e juntos demos-Lhe graças. Agradecemos a Maria, nossa mãe, e recebemos fios com a sua silhueta a caminhar. Dali em diante também junto ao nosso coração e peito caminharia. Abraçámo-nos, agradecemos uns aos outros e ganhámos nova força para retornar de queixo e sorriso erguido ao caminho da nossa vida. (Rita Barata, Lisboa)